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Divulgação Doutrinária - A Oratória Espírita


Tereza Rodrigues
Professora - Palestrante Espírita

Divulgação Doutrinária - A Oratória Espírita

“... recordemos que o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade de sua própria divulgação.” Emmanuel – “Estude e Viva”, cap.40, psicografia de Francisco Cândido Xavier

Com o aumento da freqüência às nossas Casas Espíritas, aumenta, também, a necessidade de transformarmos o momento de estudo da reuniã o pública em algo capaz de motivar o freqüentador a uma efetiva participação, seja na assiduidade, seja no interesse por outros estudos da Casa.

Queixam-se, por vezes, os dirigentes, que as pessoas não retornam, não estudam, esquecidos que a porta de entrada, além da acolhida fraterna, é a palestra doutrinária que antecede o passe.

Quem é o expositor espírita? É um orador? É um professor? Antes de tudo, é alguém de boa vontade: boa vontade para estudar, para aprender, para a autocrítica e para a crítica externa. Oradores, no sentido real do termo, são poucos. Na verdade, temos “palestrantes ou expositores” que, embora espelhados nos bons exemplos da oratória espírita, devem se conscientizar de que são apenas isso (como se fosse pouco, subir à tribuna para falar de Doutrina Espírita).
O orador é alguém que domina as técnicas da oratória, eloqüente, arrebatador, carismático com as massas, e só deve ser copiado como fonte de estudo, como um livro que lemos, analisamos e utilizamos o que é pertinente. São poucos e sua tarefa é específica. O palestrante ou expositor é aquele que, estudando o Evangelho, a Doutrina Espírita e as orientações para ser um bom divulgador, busca a melhor forma de adaptar suas deficiências à proposta evangelizadora, finalidade precípua da divulgação doutrinária. Por
isso, a ele são exigidos requisitos básicos para a tarefa.

Querendo ou não, o expositor representa a Doutrina Espírita; é visto assim pelo público que o observa e torna-se responsável por todas as impressões causadas no ouvinte. E, quem é o ouvinte?
É o espírita convicto, a quem nada irá abalar a convicção, o curioso que vem em busca de respostas, o sofredor (grande maioria) que espera consolo, o profitente de outra religião que veio para confrontar opiniões, o que possui e o que não possui cultura intelectual, etc. Ou seja, o palestrante deve considerar, antes de tudo, para quem vai falar. Sendo o público heterogêneo, terá que saber dosar, com equilíbrio, suas palavras para atender a todos. Mas pode-se “agradar a gregos e troianos”? Não. Porém, pode-se, e deve-se, atender mostrando a Doutrina como ela é, de modo claro e límpido na sua verdade confortadora. A opção de voltar à Casa Espírita, de se enfronhar no conhecimento é do livre-arbítrio do freqüentador. Não seja o expositor o espantalho que afastará do campo produtivo da Doutrina o caminhante aflito ou duvidoso.

Além, obviamente, da conduta moral reta (trabalho de esforço pessoal, permanente e de avaliação íntima), terá o divulgador pela oratória de, na sua tarefa prática de exposição, tomar certos cuidados, a saber:

•  Não se esquecer da saudação ao público; é uma fórmula, mas predispõe o ouvinte. Um simples “boa noite”, etc, é algo frio e inconsistente. A conquista do auditório começa na saudação que provoca empatia e atrai simpatia.
Além do mais, é comum o dirigente apresentar o expositor como “irmão ou irmã”, não declinando seu nome e de onde vem (se não é da Casa), o que deixa o público diante de um anônimo;

•  Motivar o público para o que vai ouvir: qual o tema, de onde foi retirado, sua importância e atualidade;

•  Ser objetivo e respeitar o horário, sacrificando, se necessário, algum material que tenha levado em favor da disciplina; é compromisso com encarnados e desencarnados;

•  Se quiser contar histórias, certificar-se de que é um bom contador ou levar um resumo escrito; nada pior que um expositor que se perde contando o meio antes do início da história;

•  Se vai ler, certificar-se de que é um bom leitor para não se tornar cansativo para o ouvinte; lembrar, sempre, que “se a primeira impressão é a que vale, a última é a que fica”;

•  Treinar a boa dicção; numa época em que se fala de forma tão desleixada, porque se copia o dialeto televisivo, é bom verificar os esses, os erres, a pontuação, a acentuação. Por este mesmo motivo, estudar a concordância das palavras. Não que seja o mais importante para uma boa palestra, mas conquista o ouvinte e contribui, também para a sua educação intelectual;

•  Não fazer gracinhas ou contar piadas. Lembrar-se que no ambiente da Casa Espírita estão enfermos dos dois planos da vida e as risadas provocadas “quebram” os delicados fios que envolvem a todos. Pior que a piada é o expositor rindo de seus próprios gracejos. O palestrante não é o orador que fala muito tempo, e, por isso, usa a técnica do relax das tensões provocadas pela longa imobilidade do ouvinte. Provocar o sorriso de reflexão no público, através de situações aparentemente engraçadas, é arte que dispensa provocação de gargalhadas. Gírias e vocábulos pejorativos, nem pensar. Como corrigir isso? Eliminando tais palavras do seu dia-a-dia. Muitas vezes, na empolgação, o expositor “escorrega” no seu vocabulário habitual e constrange o plano espiritual e os encarnados da assistência que, por uma palavra mal colocada, perderão a sintonia com a mensagem. “Uma palavra inadequada, pode macular a bandeira mais nobre.”, informa André Luiz.
E é sempre bom reler o cap. III, da terceira parte do livro “Dramas da Obsessão”, onde Bezerra de Menezes mostra, claramente, os cuidados que se deve ter com o ambiente do Centro Espírita;

•  Ao contar fatos do cotidiano, evitar casos de violência ou vulgaridade,
porque “O orador é responsável pelas imagens mentais que plasme nas mentes que o ouvem”(André Luiz);

•  Citando passagens do Evangelho de Jesus, utilizar as fontes do Novo Testamento.
Se preferir as narrativas mediúnicas sobre estas passagens ou fatos conseqüentes a elas, frisar bem que se trata de obra mediúnica, aceita pela Doutrina Espírita. Um dos assistentes pode ser profundo conhecedor dos textos vangélicos
e sair dizendo que somos mentirosos e adulteradores da Bíblia;

•  Ter cuidado de citar fontes fidedignas; não se deixar empolgar por leituras recentes, não devidamente estudadas e cotejadas com a Codificação e as obras subsidiárias comprovadamente confiáveis. Cuidado com best-sellers e autores da moda, porque há uma inflação de obras ditas mediúnicas nas estantes das livrarias e entusiasmos que não resistem a uma leitura atenta e comparativa com a obra Kardequiana. A divulgação doutrinária, na tribuna, deve orientar o freqüentador para as obras já devidamente consolidadas para que este possa, posteriormente, ler de tudo, fazendo sua própria seleção, não sendo vítima de falsos profetas. Paulo, na I aos Tessalonicenses, alertava: “Examinai tudo. Retende o bem.”;

•  Não contar histórias pessoais que, mesmo mostrando defeitos, não passam de autopromoção e exercício de vaidade. Se for relevante a experiência, conte-se como se tivesse acontecido com outrem;

•  Não citar, ao impulso do momento, palavras e autores encarnados ou desencarnados, para não incorrer em erro de fonte, induzindo outros ao mesmo erro. Da mesma forma, não citar, a todo instante, nomes de autores desencarnados como respaldo às próprias opiniões. Se vai usar, oferecer sempre a fonte, de forma que o ouvinte também tenha a oportunidade buscar o estudo e comprovar a veracidade do que ouve;

•  Evitar polêmicas, “novidades” doutrinárias e pregações de longo alcance filosófico ou científico. Estas pedem situações específicas que não a reunião pública, onde o objetivo é consolar e esclarecer. A mensagem desta reunião deve ser calcada no Evangelho e nos esclarecimentos que a Doutrina Espírita traz para a criatura, visando levar o ouvinte à reformulação de conceitos e conseqüente mudança de comportamento.

Há, por certo, mais, muito mais, que o consciente divulgador da Doutrina, pela palavra, poderá analisar nas obras dedicadas ao assunto, dadas a público por escritores encarnados e desencarnados.

Porém, não esquecer que “A palavra fácil e bem posta é, muita vez, dever espinhoso em nossa boca, constrangendo-nos à reflexão e à disciplina”, conforme ensina Druso no livro “Ação e Reação”, porque não foi o acaso que nos colocou na tribuna. Esta, como qualquer outra tarefa, espera pelo nosso amor, de vez que o lema, para o seguidor de Jesus, é um só: SERVIR.

Bibliografia:

CRISTIANO, Emanuel. Yvonne entre nós. Pelo Espírito Yvonne Pereira.
1ª ed., Ed.Allan Kardec, São Paulo, caps. II e XIX

LEAL, José Carlos. Oratória Espírita. 1ª ed.,Rio de Janeiro, CELD, Introdução e cap. 1

OLIVEIRA, Therezinha (coord). Oratória a Serviço do Espiritismo. 1ªed., S.Paulo, 1995

PEREIRA, Yvonne A. Dramas da Obsessão. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. 8ª ed., Rio de Janeiro, FEB, cap. III, Parte III

VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita. Pelo Espírito André Luiz. 9ª ed., Rio de Janeiro, FEB, caps.13 e 14

XAVIER, Francisco Cândido. Ação e Reação. Pelo Espírito André Luiz. 7ª ed., Rio de Janeiro, FEB, cap. 2, p.24

Tereza Rodrigues


 

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