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LIVRE-ARBÍTRIO
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LIVRE-ARBÍTRIO


INTRODUÇÃO

Em meio aos desafios do aprendizado, fomos nascidos e criados no terreiro do engenho. Desde o campo à casa das máquinas, os nossos pais narravam o funcionamento dos engenhos. Em minudências, contavam como era feito o processamento da cana-de-açucar transportada no dorso dos animais cansados em feixes inflexíveis que muitas vezes se desatavam no regresso dos canaviaiss mais distantes. Eles conheciam agrimensura, prognosticando o tipo de lavoura que melhor se aclimatava ao solo; entendiam de fecundação, decidindo o período certo de iniciar o plantio e a colheita; e compreendiam geometria, adiantando com precisão peso e medida de toda a cana plantada em um hectare. Mas os nossos pais não sabiam tudo sobre um engenho de açúcar que, como as modernas usinas, tinhaham seus vastos departamanetos e setores, cada qual parecendo desempenhar uma função exclusiva. Algo semelhante seria o instituto do pensamento. Muitos filósofos têm-se debruçado e equivocado em sua rotulação. A Doutrina Espírita lança intensa luz sobre a matéria.

O dicionário dá ao significado do termo aquilo que as linguagens apontam ser a sinonímia exata ou aproximada. Mas as palavras, mudando de aplicabilidade, mudam também de significado. Altera-se assim a sua utilidade. Compete ao enciclopedista o ajuste do termo ao significado. A cultura atual denomina comportamentos atípicos a atitudes compulsivas que o indivíduo apresenta em prejuízo de si mesmo e de seus semelhantes. Geralmente o diagnóstico e tratamento desses casos não levam em consideração o elemento espiritual, e o paciente, mesmo sendo tratado por dedicado corpo clínico e experimentando períodos de convalescença ou cura, permanece imaginando que a recidiva é um privilégio que lhe assiste como ser humano eternamente imperfeito. Acreditamos que este paradigma ontológico seja responsável por grande parte das dificuldades da conduta terrena para com o doente, que já deveria estar sendo concretamente medicado pela profilaxia do Espírito.

Em assuntos de mediunidade, existência e preexistência da alma, dispomos de milhares de obras esclarecedoras. Maravilhados, transmitimos detalhes sobre a união do espírito com o corpo, traduzida pelo retorno da pessoa à nova experiência. Há, entretanto, outros tópicos preciosos que podem ser estendidos e acrescentados como proposta construtiva. Pensamento é ação. A simples noção do existir, que não deixa de ser um ato, também reivindica ideia de pensamento. Quando o peixe é retirado da água, agita-se como se pressentisse que não poderá mais respirar. O boi que entra no corredor do abate, instintivamente chora porque percebe que será sacrificado. E as begônias encolhem e se constrangem quando padecemm ressequidas. Ao repetirmos que os minerais, as plantas e os animais irracionais não pensam ou não têm inteligênia, estamos fazendo simples cultura popular. Hoje o próprio filósofo inverteria sua frase dizendo: “Se existo, logo penso! A ciência reconhece que ainda não classificou os primeiros tipos de energia e nutrientes da natureza. Simplesmente porisso e porque não fazem o metabolismo celular, estaríamos mentindo quando afirmamos que os vírus são seres mortos.

Ainda por força de um romantismo conceptual, em sala de aula e, por vezes, no próprio texto formal e na tribuna, continuamos a reproduzir superados acintes de ciência e filosofia elementar. Vejamos: “O átomo é indivisível!”. “Além do homem não pode haver outras espécies orgânicas dotadas de inteligência e pensamento”. “A Terra é o úncio planeta habitado do sistema solar”. A escolástica medieval também lecionava isto. O Espiritismo não representa apenas uma doutrina consistente comprovando a existência de Deus, da Matéria, dos Fluidos, etc. Tratando-se de uma ciência de observação, da qual extraímos recursos morais, por conseguinte, não devemos esquecer que: 1 – Tudo o que a Doutrina Espírita ensina tem por objetivo primeiro purificar a humanidade. 2 – Muito do que os espíritos e os homens afirmam não deve ser tomado como ficção nem realidade antes que seja submetido ao raciocínio estabelecido por Allan Kardec. 3 – A Doutrina Espírita basta-se a si memsa em seus princípios, nisto sendo autosuficiente; mas incompleta quanto à prática pedagógica, que é desempenhada pelos espíritos e pelos homens.

Mesmo entre os espíritas, ainda não podemos afirmar que o princípio inteligente nasce no plano terrestre. Somos muitos ainda a afirmar que o Espiritismo nada tem a ver com o cientista. Seria de se perguntar, então, por que os fenômenos espíritas tanto mexeram com as bases das Ciências. Allan Kardec não afirma que a Ciência, como Ciência propriamente dita, não tem o direito de sondar os achados do Espiritismo. O que não admitia era a opinião preconcebida, filha do exclusivismo. Quando declarou que os assuntos espíritas não eram da alçada da Ciência, dizia exatamente isto: Mudem seus métodos de experimentação e descubram o que julgam utopia. Ou: Não emitam conclusão que não seja baseada na realidade daquilo que ainda desonhecem por não pesquisarem em suas culturas de origem. Disse que a Ciência sofreria declarado enxerto, e, realmente, daria o veredito, não sem a ajuda da Religião A Ciência estava provisória e não em definitivo incapacitada de ingressar na academia do Espírito. Há na Codificação muitas declarações de que a ciência, sempre a ciência e não a religião, dirá a última palavra. A questão substancial não é defender nem acreditar, e sim compreender as respostas, agradecendo a Deus pelo discernimento, sem o sentido de torná-lo patrimônio privativo daquilo que entendemos como ciência, filosofia e religião, ainda que imaginariamente separadas uma da outra.

Dizemos que respeitamos nossos semelhantes; que errar é humano; que o nosso direito termina onde começa o direito dos outros. Vai-se um pouco além: O ser homem situa-se entre o determinismo e o livre-arbítrio! E ponto final. Achamos que sabemos muito mais. Não basta repetirmos que Allan Kardec pesquisou exaustivamente os fenômenos. Seria o mesmo que os homens de ciência nos dizerem: Isaac Nilton divertia-se com os cálculos! Isto em nada vai mudar nossa visão de ciência ou na religião. Pelo contrário, religiosos e cientistas nos distanciamos. Isolamo-nos em nossas pertinácias e convicções formadas. Poder-se-ia, ainda, contrapor que Allan Kardec não tinha a menor aptidão para a pesquisa científica. Ora, se sabemos e reconhecemos que era apto e que estabeleceu as bases de um novo sistema experimental, precisamos dar visibilidade aos resultados desta investigação. A descoberta destes conhecimentos traçará os rumos pelos quais deixarão de ignorar a Doutrina Espírita, e cada um decidirá quando, como e o que fazer.

O advento da informação não é uma nova ordem de princípios destinados a amesquinhar a sublimação do homem, primado da Doutrina de Jesus. Quem compulsar a monumental obra kardequiana não encontrará qualquer proscrição ao manuseio e análise de um assunto, seja qual for. Ocorre que, como se procede com a Evangelização da Família considerada meta secundária por muitos dirigentes, também pela admissível incapacidade estrutural, não se consegue organizar ambiente para estudos procedentes, e são considerados retrógrados no seio de uma religião que está adiante de toda a educação contemporânea. Em meio a este contingente de entusiastas do Espiritismo encontram-se tanto aqueles defensores ferrenhos das mensagens ainda não confirmadas pelo avanço tecnológico, desde que tenham sido reveladas pelos Espíritos Superiores, como aqueles que só se voltam para as notícias patenteadas pela Ciência, ainda que em fase experimental. Quando o Plano Espiritual recomenda que a palavra final cabe à Ciência e não aos Espíritos, vem a sugerir que o espírita alije do íntimo a sacralização e o fanatismo milenar. Ao que consta, temos vastos e interessantes panoramas de estudos filosóficos e relatórios etnográficos sobre o Mundo Maior adjacente, dos quais somente foram tirados os primeiros véus. E a imensa maioria dos espíritas não se acha interessada nestes aspectos, por entender que a aproximação dos mesmos dificulta o adiantamento moral.

Devemos assimilar o pensamento dos Mentores como Bezerra de Menezes, Emmanuel e Joanna de Angellis que nos aconselham, antes, disciplina rígida que as elucubrações filosóficas ao espírito sequioso de reforma íntima. Mas suas admoestações não nos ensinam a reticenciar o exame dos assuntos considerados polêmicos. Que as dimensões espirituais se interpenetram; quando e como a imaginação e a comparação determinam as manifestações do espírito; e se o estudo dos átomos, elétrons e prótons se faz necessário à religião, são pautas às quais o espírita deve se referir sem qualquer cláusula adicional de preconceito, como fez Allan Kardec numa época em que falar de Espiritismo era atentar contra a autoridade. Todas estas questões que tratam intimamente do nosso interesse evolutivo são atinentes à Doutrina da Razão, e, por isto, imerecedoras do prejulgamento inocente ou soberbo que o nosso narcisismo clássico teima em alimentar.

Dentre aqueles que combatem com acentuada polidez as posições de aparente contradição doutrinária, pode ocorrer que muitos não detenham o patrimînio do conhecimento ou disposição a explorar o assunto de maneira adequada, como se registra na Historia, e, particularmente, no advento da própria Doutrina dos Espíritos. Não precisamos justificar nossas convicções e preferências apenas divulgando por aí que somos contra isto e contra aquilo. Vejamos que por nossa falta de habilidade e competência, a dificuldade reside na maneira de transmitir a justa e urgente maximização do aspecto moral. Aventuramos, pois, sem abdicar do senso dialético, uma breve introdução ao livre-arbítrio, iniciando pelo contributo do pensamento enquanto fator aqui indiciado como ascendente dessa distinta faculdade. Sob a premissa filosófica, desenvolveremos a presente construção, sem questionar o enfoque da incontestável obra espírita, mas desenvolvendo princípios ali irradiados.

O BEM E O MAL

Divergente do Espiritismo, a doutrina clássica afirmava que a busca da perfeição era uma sentença facultatiiva. No vagaroso caminho evolutivo, até os espíritos puros podiam cair e retroagir, cometendo terríveis desatinos. Ao garantir a destinação dos bons para o céu e dos maus para o fogo eterno, era o mais impiedoso e ofensivo código de flagelação do gênero humano presumivelmente instituido por Deus e sancionado pela religião. Esta visão reducionista da criatura tinha mesmo que sofrer a reprovação da modernidade jurídica e da pedagogia que não devem admitir o princípio da pena eterna. A laicização do direito foi uma tentativa de desvincular o indivíduo e a sociedade desta pecha filosoófica responsável pela decadência de muitas civilizações. Mas a natureza divina que lhe é inerente afiança-lhe o usufruto do direito natural que é inacessível à revogação pelo homem.
Os antigos pensavam que o homem tinha dois caminhos a seguir, o do bem e o do mal. A criança já nascia com a espada numa das mãos e a cruz na outra, ou seja, literalmente entre a cruz e a espada. Crescia aprendendo a guerrear e a fazer ofertas ao Senhor. Uns escolhiam a porta estreita do perdão e da caridade julgando que o Céu era destinado somente aos escolhidos; outros preferiam a porta larga da condenação e do egoísmo, por acharem que o Inferno era reservado aos maus. A própria igreja nunca quis fazer ver aos fiéis que o Bem Absoluto jamais criou algo que um dia tivesse a prerrogativa de ser, para sempre, seu terrível e ameaçador rival. Entretanto, no âmago de cada pessoa, plantada e regada por Deus, estava a desabrochar a flor do juízo justo. Hoje a pauta sensacional é a que trata do comportamento do indivíduo. Não urge saber apenas o que se pensa nem o que se faz. Mas, para que faz? Para que pensa?

Na época da codificação espírita e ainda na fase complementar que estamos vivendo, a ciência não admitia abertamenete qualquer indício de pensamento inteligente na memória celular. Ali, o mecanicismo dogmático não autenticava a introdução da energia divina por vias científicas e muito menos pela fé cega. Exigia-se que o Criador, ou não existia ou estava algemado à mentalidade tradicional, a permitir que uma parcela da humanidade optasse pelo inferno que o livre-arbítrio oferecia como uma das moradas da Casa do Pai. Hoje, notamos que o carro da Ciência terrena dirige-se veloz para o Terminal Infinito de Deus, cujo determinismo é a imortalidade da alma.

NILTON DIVERTIA-SE COM O CÁLCULO,

KARDEC PESQUISAVA O FENÕMENO. E DAÍ?


As leis Supremas não escravisam nem punem o indivíduo. O medo, a dor, o sofrimento não são criações de Deus. A alegria, o prazer, o bem-estar são níveis de consciência de aquisição obrigatória. O livre-abítrio tem sido, para o entendimento geral, verdadeiro proteu de múltiplas e estranhas serventias, destacando-se a de mediar e tentar explicar as más inclinações do homem. A figura de tempo e noção de liberdade utilizada na prática do mal é algo ainda desconhecido a nós outros. Tendo em vista a diversidade dos motivos aos quais recorremos para desculpar nossos atrozes e repetidos tropeços, muitos julgamos contar com toda a facilitação e condescendência divina para com a execução dos crimes que chocam a humanidade. Cânticos de guerra, frios assassinatos e crueis atentados contra inocentes e supostos inocentes desafiam nossa pequena capacidade de conceber o amor e a justiça. Mas Deus colocou termo justo e certo às nossas vontades e aspirações. Quase não se percebe que o livre-arbírio viabiliza a exacerbação sistemática do bem. Quando os grandes teólogos falaram sobre o relevante tema, calaram-se logo ou foram sempre enfáticos em compará-lo a perigosa doação de um mistério divinal através do que o homem ganharia o que merecesse. E esta noção de merecimento incluía o castigo. Estabeleceu-se então a existência de um Deus-homem contrariado que só amava até o ponto em que a conquista da felicidade era desarticulada sob o genocídio e a exploração dos mais fortes contra os mais fracos. Ao longo do tempo, para resolver este difícil problema do mundo, sempre se criaram outros artificialismos não menos desumanos com suas soluções contraditórias e utópicas.

Erguida ainda em nossos dias, há uma sociedade com seus próprios costumes, leis e métodos de afirmação, onde se tem que a liberdade de praticar o mal não é condicionada ao bem, enquanto a liberdade de fazer o bem encontra limites em Deus. Como a dita sociedade funciona milenarmente, chega-se a assentir que expressa mesmo a vontade do Soberano. Mas esta organização de indivíduos imersos no caos de um livre-arbítrio julgado eterno não é um corpo social à parte que se desenvolve e atinge os mais altos flancos da incivilidade. Pelo desinteresse de correntes políticas e religiosas, a doutrina da reencarnação restaurada pelo Espiritismo é a única em condições de esclarecer este problema visto pelo conhecimento pretérito como resistente entrave à idéia de Deus e da felicidade do homem. O que nos faz pensar desta forma que pode parecer digressão puritano-doutrinária, mesmo porque não somos o graduado lente nem o licenciado teólogo? Deve ser a publicidade antidoutrinária que se costuma fazer através de aglomerações e dígitos de religiosos propagandistas do livre-arbítrio como responsável pelos infortúnios da Terra, e, quiçá, a literatura exígua, senão na volumosa estante espírita, mas no roteiro dos colóquios e eventos expositivos da Doutrina da Razão, qual se a transformação moral e os esforços empreendidos para domar as más inclinações não prestassem reverência ao monopólio do conhecimento.

Na época da codificação espírita, e ainda na fase complementar, a Universidade não via qualquer principio inteligente no interior da célula. O determinismo dogmático dos mecanicistas não permitia a inclusão do Espírito pelas artérias científicas e muito menos pela fé cega. Acreditava-se, com razão, que, abrindo as portas do inferno para grande parte da humanidade, estava Santo dos Santos algemado à moral religiosa dos alienados e supersticiosos, Muito se optava pelos caminhos de excentricidade que o livre-arbítrio parecia oferecer. Hoje, se percebe que o corpo da ciência terrena acopla-se ao cérebro do Incognoscível, cujo determinismo não é aquele que conhecíamos. Certa feita, em desdobramento, um Espírito nos levou a uma bela planície, onde havia uma aglomeração de arredondados blocos rochosos. Apontando o dedo para um dos monolíticos, a entidade falou: “No interior destas pedras existe uma espécie de energia que, no futuro, o homem transformará em energia atômica.“ A afirmação não constituiria novidade alguma para quem estuda um pouco da ciência também nos padrões espíritas e vislumbra as emanações do campo espiritual que os pesquisadores da atualidade denominam labirinto de energias sutis. Com acerto, suas mentes valorosas não buscam respostas prontas às indagações. Associam e admitem o impulso inteligênte à ação. Então, como tais descobertas já se vulgarizaram, devemos, pelo menos no terreno dos conceitos, tirá-las da anacronia, demonstrando sua autenticidade.

A faculdade de crescimento espiritual é intrínseca à natureza do homem, disponibilizando-lhe imanência e permanência no roteiro do Bem, cujo acesso jamais se lhe é indeferido pelo Excelso Reitor. Contudo, a liberdade aí também não é inteira, embora imcomparavelmente maior que a usada na empresa do erro. Vizinhos de um nosso amigo, então enfermo, que costumavam sujar-lhe o quintal, depositando dejetos e toda uma variedade de poluentes em área reservada ao trânsito de crianças, na qual habitualmente realizávamos um trabalho voluntário de limpeza, ao dialogarem conosco, ainda que não estivéssemos aludindo ao procedimento desrespeitoso, expressavam-se com semblante de pedido de clemência, instintivamente balbuciando as palavras: Me desculpe! Me desculpe! Assim, de modo espontâneo, indivíduos posicionam-se porque, em sã consciência, subentenderiam e reconheceriam o ilícito que conforme a lei de causa e efeito pode ter sido contabilizado.

Nenhum livre-arbítrio nos concederá a perenidade no vilipêndio ao próximo, e todos repararemos nossos erros no peso e medida fiel de suas consequências. Lampião estaria encarnado e seria médico em uma conhecida capital. Hitler teria a bênção divina de renascer em um orbe inferior, semelhante ao mundo que desejou a todos aqueles que não partilhavam do seu sonho de uma raça nobre e pura! Diante disso, poder-se-ia declarar que é exatamente factível, até através das armaduras do ódio e da maledicência, merecer-se o beneplácito do Amor e da Bondade, ou, ainda, conquistar o ilusório reino de Satanaz, argumento insustentável que alicerça o edifício de toda a permissividade e tormentos do mundo. Mas a persistência longa e sistemática na sementeira e colheita da desgraça não detém o poder de adulterar em definitivo nossa natureza divina.

PENSAMENTO

UMA MÁQUINA PENSANTE


André Luiz afirma que o pensamento é passivo perante o sentimento que lhe dá forma e natureza. O estimado repórter do Mundo Maior não entra em detalhes de abrangência desta

inertibilidade do pensamento. Mas cremos que essa passividade não é absoluta. A partícula do pensamento seria integralmente passiva ao sentimento, se este tivesse toda a liberdade de direcioná-la à prática do bem e do mal.

Assim como a psicologia divide em vários módulos, o conceito de inteligência, a paisagem do pensamento careceria ser, por nós, melhor apreciada desde a organização estrutural do raciocónio primitivo a fases análogas às do instinto reconhecidas pela pedagogia e acessíveis à compreensão humana. Quando falamos dessa elasticidade do pensamento, queremos-nos referir ao sentido de seu pertencimento a Deus, de onde viemos simples e ignorantes e para onde, inevitavelmente, voltaremos sábios e puros à revelia do livre-arbítrio. Se nem tudo é pensamento divino, o pensamento divino está em tudo. De forma latente, qual mexilhão das lagoas profundas, pensamento e vida acham-se encrustados na pérola preciosa de toda a natureza.

Cabe ao Espírito, desde sua mais elementar manifestação, em todos os seus níveis de pensamento, substanciar e adjetivar o livre-arbítrio. Encontrando-se em patamares distintos na gênese evolutiva do Espírito, é concebível que cada indivíduo confere-se o monopólio da parcela de livre-arbítrio que lhe compete, isto variando em consonância ao nível de desempenho e responsabilidade pessoal. À guisa de legítimos corolários nem sempre necessários, porém intransferíveis, a lógica da legalidade vista pelo Cristo como o dar a cada um segundo suas obras, vem a ser corroborada pela noção de justiça esculpida em todas as consciências e muitos códigos de direito que não desprezam o feito pregresso das partes integrantes do processo. Não é o livre-arbítrio incondicional que leva ao progresso. O indivíduo progride e aperfeiçoa-se também pelas restrições à liberdade de pensar e agir, em virtude do determinismo da perfeição.

Em o Livro dos Espíritos Allan Kardec, atendo-se às consequências morais, indaga aos Espíritos Superiores se o homem tem o livre-arbítrio de seus atos. A resposta é breve e antecipante: “Já que tem a liberdade de pensar, tem a liberdade de agir”. E complementa: “Sem o livre-arbítrio, o homem seria uma máquina”. O pensamento é ativo perante a destinação do homem aos caminhos da Perfeção. O inevitável bloqueio do livre-arbítrio imposto por Deus, que sabe o que é melhor para cada espírito, não está diametralmente distante do corte a que, a seu talante, o próprio sujeito se impõe às ações. A vontade-aviso prévio de que o eventual ou fatal será suspenso pelo prórpio Espírito e por Deus fortalece estas nossas reflexões, onde o não-poder-fazer, dos homens, e o poder-fazer, de Deus, respectivamente interpretados como impotência e arbitrariedade, são cumprimentos do livre-arbítrio em instância superior visando o determinismo da Perfeição. Este parecer, à primeira vista óbvio e paradoxal à ideia do ser inacabado, feito de células, e o espírito que evolui por esforço próprio, não poderia ser contemplado pela visão do pequeno aluno que só gostava das fascinantes histórias e lições de Felisberto de Carvalho.

Se o homem só pensasse e não tivesse a liberdade de agir, semelhante ao indivíduo que tem o poder da locomoção e por alguma razão não caminha, seria máquina pensante, mas sem nenhum detrimento à iniciativa-habilidade de ação. Daí também deduzirmos que a liberdade de fazer não implica elo de dependência cabal com livre-arbítrio, pois pode-se agir à revelia deste. Uma sentença não é formulada apenas segundo o livre-arbítrio. Existe liberdade de fazer algo, desde que existe a liberdade de agir; todavia não é o livre-arbítrio que determina a ação.

Como estamos enxergando a existência do pensamento em algumas de suas infinitas variantes? Não temos livre-arbítrio sobre todo e qualquer dos acontecimentos físicos? Sendo as faculdades subjugadas à grosseria da matéria, o indivíduo de órgãos sãos tem o manuseio pleno do livre-arbítrio? Por que, de corpo e mente sã, somos competentes engenheiros, cuidadosos farmacêuticos e excelentes magistrados que, sem querer, cometemos os mais graves erros em nossos afazeres? De passagem, podemos aditar que o pensamento expresso pelo livre-arbítrio só seria livre quanto à sua existência, e que todas as suas modalidades de emersão no campo biológico sofrem ingerênias de ordem evolutiva. João Batista, dono das mãos luminosas que lavaram os pés de Jesus, deixou-se imolar pelo poder transitório, sabendo que o Messias estava a caminho; Herodes, amante dos reluzentes tesouros romanos, daria metade de todos os bens para que sua promessa não fosse cumprida. Estaria o filho de Zebedeu de posse do verdadeiro livre-arbítrio, caso tivesse recusado o testemunho no instante supremo? E se o Mestre houvesse incitado a multidão a defendê-lo da guarda imperial com chineladas e cajados? Quem haveria de conceber e assumir o confisco do livre-arbítrio de Jesus? Afinal, o que é livre-arbítrio?

“ISPERTO, CERTO ?"

A ideologia do capitalismo selvagem realmente desperta no ser humano uma profunda sensação de poder e superioridade. O roteiro de quase todos os programas infantis, inclusive os difundidos por órgãos educativos e dirigidos especificamente às primeiras infâncias, está subjugado e esta bitola cultural corruptora do caráter. Um dos filmes em desenho animado preferidos do público infantil chama-se Pica-pau, versão deplorável de uma das mais lindas e lúdicas aves do planeta. Praticamente em exitinção pela voracidade de caçadores e contraventores mordazes, esse pássaro encontrado no cerrado brasileiro, teve suas versões voltadas para a satisfação do instinto destrutivo do ser humano, quando a propósito da belicosidade o vimos pela primeira vez na TV. Desde então, todas as suas encenações cinematográficas trazem uma dose cavalar de incitação ao desrespeito e desamor entre os indivíduos. Senão, vejamos o indicativo:

Na televisão de hoje, a ave é intencionalmente colocada como símbolo de malandragem e violência a um espectador que ainda não sabe avaliar o conteúdo do que ouve e vê. Intransigente, mal-humorado e desobediente o Wody Woopecker é uma produção medíocre que não merece nosso aplauso nem a pipoca que fazemos para as crianças assistirem o beste seller. A telinha mágica leva à intimidade dos lares um pica-pau irreverente, respondão e agressivo como o garoto de aproximadamente oito anos que vimos entrar no ônibus de punhos quase fechados e semblante ameaçador dizendo para o motorista: “Isperto, certo!?”. Ali, surge sempre atrevido e provocador, e nunca está em paz com seus colegas. Não lhe interesssam carentes e inválidos ao redor. Não Aceita sugestões nem o conselho dos mais sábios. Ao contrário da docilidade e mansidão que caracteriza a ave no seu habitat natural quando importunada, não revida com o trinado mavioso e a admirável ingenuidade ante o depredador que vem desmanchar sua árvore, sua vida! Esse picapau é muito diferente. Vingativo, não leva desaforo para casa Burla as normas, agride o semelhante e destrói seu próprio ninho. Paradoxalmente furioso e deseducado, passa por cima de todos as convenções. Parcero da discórdia, não perdoa nem transige diante das fraquesas alheias. Auto-suficiente, nunca sai perdendo no jogo.

Malicioso e inconsequente esse irrequieto protagonista parece ter a incumbênia de plasmar nas mentes infantis a intolerância e a discórdia. Se na vida real até os mais afoitos e poderosos acabam presos e punidos pela transgressão às leis, o mesmo não ocorre com o pica-pau das nossas reflexões, onde o meliante quase sempre trapaceia para mercer um final feliz! Parceiro da ingratidão e rascunho fiel do homem arrogante, esse intempestivo picapau tudo pode. Faz o que quer, como quer e quando quer. É o símile perfeito de quem se julga dono e espoliador de livre-arbítrio!

LIVRE-ARBÍTRIO

Ora sansionada ora impugnada, a tese do livre-arbítrio pode, em principio, resumir-se à condição de crença que o ser humano, pelos meios que se lhe são outorgados, pensa e age em pleno gozo da liberdade, o que se sabe não ser verdade. Em se observando do ângulo humno, o princípio da inviolabilidade do livre-arbítrio faz sentido. Tentaremos visualizar pontos menos massificados da magna questão, por entre a pouco compreendida liberdade do livre-arbítrio e o límpido horizonte do mal-entendido determinismo. Temos consciência da complexidade que margeia a análise, ainda que superficial, deste assunto. Somos, contudo, de parecer que não basta trazer o brilho admirável do título acadêmico para estudar um ponto-de-vista, por mais profundo que seja quanto os próprios sensoriais que depois do recente avanço impelindo o conhecimento para uma única máxima que é a ciência do bem e da verdade, não mais se ajustam ao designativo ciências exatas. Nosso intuito aqui não é propor a releitura da filosofia espírita nem da doutrina penal sobre os conceitos de livre-arbítrio e sim levantar alguns aspectos deste fascinante tema que tem, já, recebido a atenção de tantas autoridades ao longo dos milênios. Mas acreditamos que, levando-se em conta o desenvolvimento das ideias, o verdadeiro significado desta palavra sempre rogará por novos apontamentos como reflexão dos que professamos a fé como legítima ciência do Espírito.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, em mensagem assinada por Lázaro (Paris - 1863), leva-nos a compreender que, sem experimentar a dor como consequência de nossos atos, praticaríamos o mal alegando ignorância de seus efeitos. A espontânea operação nesta dinâmica, sem o elemento da dor, levaria o indivíduo a elaborar e desenvolver com estabilidade seu próprio esquema de existência. Por sua formidável capacidade, chegaríamos a crer que o homem pudesse se ajustar a esse modelo de afirmação no tempo-espaço. Mas o atributo da inteligêcia é uma grandeza em interminável processo de burilamento. Isto se torna inexequível desde que, como semente divina, ou, convenhamos, fruto de algo que sintetise toda a significação do equilíbrio, ninguém se realiza fazendo o mal e, não obstante sua persistência no erro, o Espírito culmina com o descobrimento de que vive melhor fazendo o bem, ou, noutras palavras, sente-se feliz observando aquilo que não subverte as leis naturais. Por isto, Ainda que o mal não tivesse como efeito o padecimento para assegurar sua indesejável consequência, o ser humano não o adotaria por interesse e até desencargo de consciência. O princípio inteligente tem uma destinação nobre que apenas de imdiato é perturbada pelo livre-arbítrio.

Elucida também a Doutrina Espírita que aquele cuja inteligência é perturbada por uma causa qualquer, não é mais senhor do seu pensamento e desde então já não tem liberdade. Note-se que, aqui, a falta de liberdade à qual os Espiíritos se referem não sugere generalização absoluta de cerceamento do livre-arbítrio. Vale, decerto, para protótipos de liberdade restrita, pois a aberração das faculdades tira ao homem a responsabilidade pelo ato praticado, mas a faculdade do pensamento permanece íntegra para toda uma outra ordem de procedimentos connscientes, da mesma forma que quando somos levados a não dormir, diminui o poder de vigília sem embargo de funções cerebrais. A interrupção de pensamentos, gestos e atitudes, ocorrente do livre-arbítrio, confunde-se com a anulação da vontade natural de pensar e agir. É anseio de toda pessoa ser livre e gozar de extrema felicidade. O mal mais grave e intenso que o espírito impõe a si mesmo sempre se lhe constitui obstáculo, porém não o impede de continuar pensando e se aperfeiçoando no tempo sem cessar. Como de início concluía o argumento da debilidade mental e condições diversas de cerceamento, a desincumbência de ato praticado não exprime, necessariamente, relação de consequência de livre-arbítrio, nem os estados alterados de consciência determinam nulidade de raciocínio e lucidez.

O espírito quando estaciona – diga-se que aí não pense no bem nem no mal - fica em situação contrária à Ordem da Criação, e, portanto, temporariamente deslocado do rumo que lhe traçou a Inteligência Suprema. Por outro lado, já que nenhum espírito o faz deliberadamente, exceto nos movimentos iluminativos, todas as expressões do livre-arbítrio são parciais, inclusive as de classe intermediária entre o bem e o mal. Portanto, devemos evidenciar que o Espírito somente se locomove com ampla liberdade quando situado no território do modelo proposto por Jesus, no qual restrição nehuma vige ao culto das virtudes e da elevação, se bem que o livre-arbítrio aí também não seja estável porque o espírito não pode ter sapiência nem poder equiparados a Deus, a menos que este ideal humano de perfeição realmente não inclua o conceito de verdadeira sublimação do Espírito.

Com a doutrina da destinação do princípio inteligente ao estado de plenitude sem agravo da individualidade – Espiritismo – poderíamos argumentar que não há suspensão do livre-arbítrio no sentido literal do termo, e que o mesmo só se respaldaria mediante o aniquilamento do ser. Assim, o livre-arbítrio sofre e autentica ruptura apenas aparente nos eventos conhecidos como morte, tragédias e enfermidades incuráveis. Como não se confirma o fenômeno da morte, e velejamos sempre-e-sempre para o oceano da Vida, as restrições impostas por Deus ao homem não correspondem a veto ou interferência à voluntariedade do Espírito. Por ser exigência da lei de progresso, este princípio levaria a afirmar-se que toda e qualquer intervenção superior na atividade do ser converge para o conceito de dilatação e não obturação do livre-arbítrio que deve ser atributo em interminável acabamento na perenal obra da evolução.

Destarte, hodiernamente, com base na constatação de pensamento e vida nos mais longínquos recônditos do cosmo, consideraríamos que o homem e tudo que constitui a natureza detêm a completa posse – incontinência - do livre-arbitrio que poderia funcionar sem qualquer empecilho num sistema pulsante e vivo. Todavia, essa pulsação e essa vitalidade esbarrairiam sempre num universo desordenado e estanque por causa da ausência de um comando gerador e mantenedor acima de tudo e de tudos. Dir-se-ia que, achando-se o espírito submisso à vara superior do aperfeiçoamento, não seria manifesta ao livre-arbítrio a mínima solução de continuidade. Mas, ainda raciocinando com a Doutrina Espírita, este pressuposto é insustentável, por trazer uma ideia imperfeita de Deus. Em verdade, não temos trânsito aberto em tudo. Todos arbitramos e evoluimos somente na direção do Criador. Portanto, sem exceção, nossas emancipações têm suas expansividades em regime de contenção diante do que a consciência julga malefício ao progresso. É esta ânsia cósmica de melhoramento e purificação que nos leva a meditar e ampliar nossas singelas considerações sobre o livre-arbítrio.

Tratamos aqui da continência do livre-arbítrio. Com o princípio da evolução e, sabendo-se que é impossível evoluir sozinho, faz-se necessário crer que nem mesmo o eremita no deserto gozaria de liberdade absoluta. Ali, todavia isolado do convívio social, o indivíduo tem todo um conjunto de necessidades básicas que somente são atendidas mediante a participação de forças que o envolvem. Como se não bastasse sua indumentária apropriada ao calor; a água lhe refresca o organismo e o ar que lhe canaliza o oxigênio, tudo chega através de seus semelhantes e de fontes naturais sobre as quais não lhe compete o domínio que qualificaria o distintivo de independência real. A própria liberdade de pensamento, no que diz respeito à essência do ser, acha-se acorrentada a fatores alheios que também tornam passiva esta prodigiosa faculdade. Desde que há uma primária e única geratriz dotada de toda a potenciação, nunca seria lógico desprezar tal raciocínio. No corpo de todas as excelsas respostas que os Espíritos Superiores deram a Allan Kardec estaria latente este princípio que ainda não encontrava assento seguro na poltrona do egocentrismo dos homens.

O TOTALITARISMO DO PENSAMENTO

E A SUBALTERNIDADE DO SENTIMENTO


O pensamento não determina os níveis de sentimento. Estes devem ser atribuição do Espírito. Mas nenhum tipo de sentimento pode se expressar ou ser palpável sem o concurso do pensamento. Os traumas cerebrais nas funções dos julgamentos e das decisões afetam a qualidade dos pensamentos, mas não mudam sua essência quanto ao ato de pensar. O livre-arbítrio é consequência e não causa. Exterioriza-se como reflexo e não como determinante do pensamento que é a estação mais aproximada de Deus. Por falta de vocabulário mais apropriado, diríamos que quando o pensamento se fraciona, um de seus inúmeros fragmentos corresponde ao sentimento com suas múltiplas fisionomias como o próprio livre-arbítrio. As características das ações é que variam de acordo com o teor do pensamento que é incólume de nascença.

Na ideologia divina a liberdade ilimitada de ação pensamental está franqueada somente à consecução do bem. Determinadas formas e natureza que o sentimento dá ao pensamento são efêmeras como chuva de varão que, por mais compacta e duradoura que parreça, desvanece-se à luz do sol porque o sentimento do deus que é diferente do sentimento humano mais elevado exige que as demais molduraçãe de pensamento priorizem o bem e descartem o mal. O conceito de erros e acertos é um avanço no processo de assimilação das virtudes como alvo a ser atingido pelo conhecimento da preservação e da violação de normas estabelecidas, independente do apelo religioso. O indivíduo não pensará e agirá bem não simplesmente por se ver constrangido a isto, mas por perceber a utilidade de fazê-lo. Esta nova concepção atualiza meio e fins da própria medicina que deve não apenas tratar, mas prevenir e curar o enfermo.

Como criatura, em todo o universo, quanto ao fazer o bem, as manifestações e interações do Espírito são plenas, mas uma vez considerando-se direito e desejo de perfectibilidade, são vedadas, donde podemos demonstrar que, nisto, o arbitrium é terminantemente descartável e injustificável. Por outro lado, temos assim pontos diferentes. Primeiro, o que trata da parcialidade do livre arbítrio em relação ao ascendente de não se poder ser perfeito, e outro o que relaciona o providencial livre-arbítrio imarcescível apenas à prática do bem. Destes dois aspectos, onde a prática do mal e o anseio de perfeição absoluta estão em oposição aos desígnios do Criador, podemos inferir que ambos inviabilizam a faculdade por não pertencerem ao rol das ações iluminativas, logo se confirmando a inexistência do livre-arbítrio em todos os níveis de ação e pensamento no mal ou desvio do bem.

Aqui está uma situação talvez inusitada e bastante clara da passividade do pensamento ao sentimento. Mas em termos absolutos repetimos que este primado só será admissível se tiver o sentimento plena liberdade de direcionr o pensamento tanto à execução do bem quanto à do mal, o que explicamos ser impossível, tendo-se que a liberdade ilimitada de ação pensamental é restritamente franqueada à consecução do bem. Porque o sentimento de Deus é diferente do sentimento dos homens e exige que todas as demais espécies de pensamento tendam a perceber a prioridade do bem e descartar o mal, a forma e natureza que o sentimento dá ao pensamento, é passageira como chuva de verão que por mais compacta e duradoura que aparente, desvanece-se à luz do sol.

EXPLICAÇÕES HIPOTÉTICAS SOBRE LIVRE-ARBÍTRIO

Suponha-se que uma pessoa (X) entra num carro, com intenção de ir para Norte. A informação é que o carro se dirige para Sul, mas o veículo se dirige para Norte. Todos os passageiros deste veículo se encaminham a um encontro com a pessoa X no Norte, com quem naqule dia se acharão para ofício impostergável. Esta pessoa não conhece os demais passageiros que, por sua vez, também não a conhecem. Supondo que houve erro de itinerário, constrangido, X segue o suposto rumo Sul. Ao témino da viagem, é informado que chegou ao Norte e não ao Sul. Ali, então, ou seja, no Norte é festivamente recebido junto aos demais passageiros, com quem deveria se encontrar. Analisemos os fatos. O que X mais queria era chegar ao Norte. A incerteza de X chegar ao Norte, pois supunha ir para o Sul, poderia ter-lhe feito descer do veículo e faltado ao encontro ao qual havia deliberado se fazer presente no Norte. Ordenado a descer do veículo, não o fez. Na hipótese de que alguém o tivesse posto à força para fora do veículo, configuraria derrogação de livre arbítrio apenas no que se refere a prosseguir ou não prosseguir a viagem. Não há intromissão em sua vontade de chegar ao Norte, para onde pretende ir e para onde pensa que o veículo não está indo. Mas houve, pelo contrário, incentivo à sua vontade de não chegar ao Sul, para onde não pretende ir. O constrangimento de seguir viagem, mesmo julgando que o veículo ia para Sul em vez de Norte, não teria sido derrogação do livre-arbítrio quanto a ir para Norte, se sua intenção foi estar com aquelas pessoas naquela data e local. Aqui, a permanência de X no veículo, de fortuita aparência, é providencial em relação ao desejo de chegar ao Norte. Não houve supressão de vontade nem de atitude quanto a ir para Norte. Mesmo que tivesse sido impedido de se retirar do veículo ou tivesse saído do mesmo e faltado ao encontro, já que seu verdadeiro pensamento era chegar ao Norte, não teria havido derrogação de livre-arbítrio cuja definição, pela ótica que estamos vendo, é o fazer o que se quer dever querer. O que nós pretendemos dever querer é algo que quase sempre foge à nossa capacidade de discernimento. Então é aí que entra o determinismo, a cada instante de nossas vidas impondo-nos situações necessárias ao progresso, às quais nem sempre nos adaptamos e das quais não nos desembaraçamos com naturalidade.

Certo homem delibera-se construir bela mansão em terreno inadequado. Vem o inverno proceloso e varre sua bela morada. Ele pensa em inaugurar nova residência ainda mais atraente no mesmo local, mas reluta e desiste da empreitada porque teme nova decepção. Suponhamos que esse homem se revolte contra as forças da natureza e sua vida tome complicado rumo, levando a si e aos seus a degradante ruína. Se em razão disto o sujeito vier a cometer suicídio, diz-se que se consumou tragédia e não houve qualquer tipo de interferência capaz de fazê-lo desistir do ato. Porém se o homem não cometer o sinistro, garante-se que ocorreu intervenção em seu livre-arbítrio, havendo desistido por vontade própria ou por seccionamento de terceiro. Este raciocínio é precipitado, pois tendo sido por espontânea vontade, foi uma autodecisão; ter-se-ia dado, sim, alteração de atitude, sem prejuízo de livre-arbítrio que, diferente daquela, é a faculdade de pensar e agir espontaneamente. Segundo o princípio de o livre-arbítrio estar previsto e em harmonia com as modulações do bem, na hipótese de este homem não ter cometido suicídio porque houvera objeção alheia, somente se poderia considerar miraculosa injunção ao livre-arbítrio, se o mesmo não fosse digno do auxílio creditado, diga-se, por mérito anterior ou excepcional concessão, o que somente pode ser comprovado mediante verificação de fontes concernentes a prontuário espiritual. Disto deve originar-se o agravante da direta proporção aritmética entre a superioridade do espírito e o livre-arbítrio.

Uma dona de casa vai à padaria pela manhã comprar pães. Não encontrando o alimento, resolve deixar o mesmo pago, prometendo retornar. Comparecendo mais tarde à padaria, encontra pães, mas, tendo esquecido o pagamento já realizado, dirige-se ao caixa intencionando pagar pela segunda vez. O honesto caixa, ciente do equívoco, impede-a terminantemente de assim proceder. Diante disto, diríamos que, levando em conta a premissa da liberdade de ação, o observador imediato julgara que o caixa teria interferido no livre-arbítrio da freguesa por haver-se recusado a receber pagamento indevido. Mas, partindo da subalternidade do livre-arbítrio ao objeto do desejo da compradora de pães, correspondido pela honestidade do funcionário, este caso não se confirmaria interrupção da vontade da freguesa que esquecera o crédito na padaria e, em absoluto, não intencionava pagar pela segunda vez. Fenômeno idêntico sucederia com a pessoa que desejasse cometer um crime e, no último instante, desistisse em face de exame de consciência. Suponhamos, também, que essa pessoa não consumasse o desiderato porque alguém contivesse sua força muscular. Conforme estamos analisando, em que pese a gravidade da intenção, ainda assim, desconhecidos os antecedentes do potencial criminoso, não se poderia julgar de bloqueio de livre-arbítrio.

CONCLUSÃO

IMPASSIVIDADE DO PENSAMENTO


Ao que se sabe, ainda não elaboramos um perfil aproximado do monopólio do determinismo sobre o livro arbítrio que estão para a perfeição do Espírito assim como para uma construção está o portentoso esteio e a tênue figura de uma mão-de-força. Se tirarmos o esteio - determinismo, a edificação, forçosamente, implodirá. Mas se subtrairmos apenas a mão-de-força – livre-arbítrio, a casa permanecerá de pé. Já a partir da unicidade de existência, vê-se que o enunciado de livre-arbítrio se faria incompleto, desde que elevado número de pessoas encontra-se em faixa de explícito veto às suas aptidões, anseios e vontades mais diversificadas. O fator de anterioridade e autoridade do pensamento assegurado por Deus ao princípio espiritual, tornaria inóquua a semântica clássica de livre-arbítrio. Coibido do impulso físico, o indivíduo permanece, pelo pensamento, a cavaleiro de praticar ou deixar de praticar toda uma infinidade de outros atos congêneres ou frontalmente opostos. Valores e conteúdos desta grandeza podem ser confundidos com carência de livre-arbítrio. Mas o avanço do conheimento não mais ignora a ocorrência da atividade física do próprio indivíduo inerte.

A vontade é uma expressão do Espírito, mas nem tudo que pensamos e fazemos é produto da vontade. Mesmo o pensamento e a ação sendo funções do Espírito, a faculdade de pensar é diferente da capacidade de agir. Enquanto pensamos, podemos fechar os olhos, adormecer, despertar e até tomar o café da manhã sem o menor concurso do desejo. À medida que nos aperfeiçoamos, nossa capacidade de pensar e agir passa, com relativa completabilidade, a ser produto da vontade que, então, adquuire caracteres de autonomia. Mas mesmo naquele patamar evolutivo, a individualidade não usufrui de absoluto livre-arbítrio e sobre aquilo que lhe careça conhecimento ou autoridade, usa de parcimônia idêntica à que o Mestre Jesus empregava sempre que era interpelado pelos homens.

Desde que passa a existir, o princípio espiritual caminha inexoravelmente para o podium de permanente congraçamento com o Arquiteto da Vida. Adquirida a capacidade de pensar, neste sentido, o índíviduo torna-se ser livre. A partir daí, pensará e nada mais o impediria de fazê-lo ininterruptamente. Soberana, como se fosse déspota, a faculdade de pensar terá ascendência às atividades do espírito, independente da vontade. Se o pensamento é a plataforma diretamente ligada à Inteligência Suprema, a vontade e o livre-arbítrio são-lhe, respectivamente, estações periféricas imediatamente subalternas e cada vez mais distanciadas espelhando os diversos entrepostos-grau de moralidade e intelectualidade que não deixam de ser tão necessários ao indivíduo quanto o ascendente discernimento. Estas conexões do pensamento são imprescindíveis alavancas evolutivas, mas o pensamento, em si, não carece de tais grandezas para se considerar concreto. O próprio raciocínio, daí a debilidade mental não significar empeço à realidade do pensamento, está dissociado desta última. Se o indivíduo raciocina - pondera - porque antes pensa ou porque se conceitua pensamento como sinônimo de ponderação, e a recíproca não é verdadeira, (ao atravessar uma avenida, a criança de três anos pensa em chegar logo aos braços maternos, mas não reflete no risco a que se expõe), vale dizer que o raciocínio está submetido ao pensamento e que este, por seu turno, dispensa critérios de discernimento para metabolizar-se e existir, do que se conclui por ocasião do próprio plasma implantado pelos divinos engenheiros na inteligência primitiva inconsciente.

A SUPREMACIA DO INTERESSE DIVINO

Diferente do que ensinava a religião de nossos pais, ao homem se torna definitivamente impossível erigir, a seu governo, uma muralha de eterna ingratidão e distanciamento do Criador. Volitando na pretensão de querer ser maior que Deus, jamais se consegurá ir um centésimo de milímetro além da altitude marcada por Ele, dentro da qual podemos subir a longitudes imensas, mas preferimos tomar a rota de detenção e ilusória descida. Até que compreendamos a fragilidade de nossas ações em função daquilo que julgamos melhor para nós, estaremos enquadrados na frustrada aterrissagem, trazendo, porém, cada vez mais viva a noção de tempo perdido e pendência de trabalho. Os Mensageiros da Verdade ensinam que ceder às propensões do mal não constitui meta, tampouco nenhum regulamento das Leis de Deus cuja obra é perfeita. Independente de nossa contumácia na impureza, alcançaremos o estado de pureza. Assinalando o que devemos fazer, Deus estabelece que seremos Espíritos Puros, e determina com clareza meios pelos quais chegaremos àquele ponto.

Dentro deste prisma de o desfecho do livre-arbítrio estar subjugado a ações anteriores do espírito, seria cabível a proposição de que todos os delitos, desde aqueles pelos quais somos instados a responder por não praticarmos aos que de fato praticamos com prazer, sejam plenamente justificáveis perante Deus e os homens. Mas é prematuro pensar que em vista da regra de merecimento à qual chamaríamos supremacia do interesse divino, muito mais ações execráveis serão praticadas e diminuirá o gráfico das meritórias. Admitir esta conclusão seria ensinar que, se Deus é afabilidade incondicional, todas as faltas cometidas contra o patrimônio da vida podem ser perdoadas aqui e agora; ou esta outra de idêntico teor, atribuída ao valente centurião da Estrada de Damasco sobre o amor – mas subentende-se aquele amor sem justiça e sem trabalho: o amor cobre a multidão de pecado! A consciência acusa e o dia-a-dia no-la demonstra que a máquina da existência não se movimenta desta forma. Tudo está relacionado a um emaranhado sistema de conectividade. Na genética divina, os chamados seres orgânicos e inorgânicos pertencem todos a filamento único, unde cada indivíduo está para fazer e encarregar-se um do outro, o que não quer dizer que haja, como muitos preferem, fragmentação e fuga do esforço e responsabilidade individual.

A pessoa que pratica um crime nunca deixará de ser criminosa ou culpada somente porque a vítima é declarada isenta ou carente de prova e expiação. O Cristo soluciona esta velha dúvida ao afrmar que no mundo é necessário haver escândalo, mas ai daquele por quem o escândalo venha. Embora se resumam nossas impressões apenas a circunstâncias do livre-arbítrio, podemos perceber que para o facínora fechado ao arrependimento, assim como para a sociedade confusa e atormentada pela dúvida, a informação objetiva de que lhe é demonstravelmente impossível burlar o plano do Criador, seria de excelente profilaxia. A lei é evoluir. A exagerada importância que se dispensa ao livre-arbitrio na execução do mal deve ser transferida para a valorização da liberdade ampla e irrestrita que tem o espírito de praticar o bem e somente o bem. Na infeliz hipótese de perpetrar o crime, vê-se a alma pré-matriculada na escola do arrependimento. Em tempo, terá que buscar a solução cada vez menos aflitiva para os problemas, até se reconciliar com a premência do equilíbrio e da serenidade.

O SENTIMENTO DE DEUS

O único livre-arbítrio verdadeiro é o que, sem inconvenientes, se confunde com a liberdade de Deus; e, sendo-lhe imanente na essência, somente se dá por Ele mesmo. Não existiria outro tipo resistével de livre-arbítrio. Se o livre-arbítrio tivesse existência real, a concepção do determinismo divino e da Criação seria inverídica porque através da expansão de sua vontade a criatura involuída transformaria drasticamente as coisas, imprimindo sua identidade no universo, como faz em sua casa, sua rua, e seu local de trabalho. Partindo desta asserção, também podemos dilucidar que nem os Espíritos Puros possuiriam o livre-arbítrio pleno; de vez que, se o desfrutassem, estariam em igualdade de condições com o próprio Criador. A infinidade de suas ações e pensamentos termina exatamente onde começa o reconhecimento da infinitude de Deus. Sendo o determinismo da imortalidade e contínua evolução uma lei humanamente incorrigível, e estando o livre-arbítrio sob seu controle, importa que o paradigma dos nossos maiores ideais passe a ser a valorização da vida pela prática indiscriminada dos bons pensamentos e ações.

A ideia de deixar a humanidade desprovida de bom senso e inapta à solução de seus dilemas comezinhos, entregue à prática indiscriminada do mal, legou o religiosismo e o cientificismo desastrosos de pretéritas e recentes gerações. Não é isto que os pensadores contemporâneos desejamos ao novo homem que não vê o livre-arbítrio como remoto ensejo de construção, e poderoso instrumento de destruição da própria natureza. Ressaltamos que os arrastamentos só seriam irresistíveis em relação à prática do bem e que, no que concerne ao mal, as influências deparam-se, inexoravelmente, com a forçosa e congente lei de adiantamento. Ao procedermos em desacordo com a Constituição de Deus, estamos por conta própria comprometendo-nos com os estatutos da Criação, e, forçosamente sendo chamados a repetir experiências positivas. Entendemos que este fenômeno se opere como meio e não como consequência, com o espírito conservando a inequívoca intuição de que a supressão de seus atos se confunde com a extensão do próprio livre-arbítrio expressa pela lei de amor. Por não conhecermos, amiúde, débitos e créditos da humanidade, também não podemos identificar em que ponto as predisposições instintivas são interceptadas por forças consideradas exógenas que, a contragosto do indivíduo, asseguram-lhe o obrigatório avanço espiritual, se temos, face ao indiscriminado volume de equívocos e desvios, à primeira vista, o Espírito francamente desimpedido de todas as suas ações delituosas. Quando o foco de atenção ao mal se voltar para a perspectiva do Bem, a humanidade terá dado largo passo, e o livre-arbítrio ocupará no senso comum o seu lugar de ferramenta do progresso.

A filosofia tradicional sustenta que o homem situa-se entre o determinismo e o livre-arbítrio; aquele tratando do impossível de se modificar por mãos humanas, e este sinalizando liberdade restrita, fruto de passividade inexistente no determinismo. Mas o cerne do que porfiamos em colocar por síntese do nosso breve comentário difere, isto é, setoriza e aprofunda esta visão filosófica, propondo que o homem é herdeiro do livre-arbítrio, só e somente só, quanto à parcela das leis morais. Nisto, sustentamos que é hegemônica e insuperável esta faculdade. O que se lhe afigura interregno de exercício seria fruto de abstração por não se verificar, ainda que eventual, sequer, a mínima deleção do livre-arbítrio. O raciocínio corriqueiro seria verídico se esta propriedade dependesse apenas de fatores efêmeros para se impor. Assim, aquilo que se tem como cancelamento provisório da faculdade não ocorre, e achando-se o Espírito, seja em qual for a conjuntura, incluindo ausências psíquicas a que se atribui inteira isenção de responsabilidade por ato praticado, o livre-arbitrio continua palpável e perfeitamente mensurável na extensão que lhe outorga a transcendente e inquestionável existência e imortaliade do ser pensante.

Os períodos de hiato daquilo que se identifica como sendo absoluta passividade do indivíduo, são providos de trabalho intenso, conforme as ciências projetam com seus sensíves aparelhos. Se o estancamento da ação beligerante está previsto pelo Códico Divino, o que haveria, podemos aquiltar, não é, de fato, ruptura do livre-abítrio ou mesmo assunto de natureza interditória, mas sim emprego de recurso providencial sempre concorde com o destino glorioso do Espírito que escolhe, melhor dizendo, acata o modus-operandi de assimilação às leis incorruptíveis de Deus, com o que nunca perde o elo da Perfeição. Portanto, quanto ao ato do pensar e fazer, em si, podemos ultimar que o Espírito detém o simples e honroso alvará de usufrutuário. As noções de determinismo, livre-arbítrio e outras concepções idênticas só têm existência real em Deus, logo se concluindo que é uma só a tese: Deus no comando de tudo, abrindo as comportas da Vida para a sua Eterna Criação.

Endividados perante as Tábuas da Lei, podemos, sem a perseverança nos cuidados e precauções, fragilizar e até subtrair ótimas oportunidades de crescimento. Felizmente, para a matemática divina, somente o patrimônio moral e intelectual soma-se, enquanto as importâncias inúteis são expurgadas e esterilizadas no decurso do tempo. As iniciativas inconscientes podem ser aplicadas em sentido e direção opostos, a depender do modo como foram automatizadas. Querendo e agindo com firmeza, interiorizamos inteligência, moralidade e também os valores aviltantes da alma. Mas quando pensamos refletindo, automatizamos somente os impulsos elevados do Espírito porque compõe o enorme arcabouço do livre-arbítrio o suave e irrecusável convite aos padrões exemplificados pelo Cristo.

Semelhantemente aos nossos pais, não sabemos tudo sobre o livre-arbítrio. E, melhor dizendo, nada conhecemos e nada somos diante dos abalizados estudiosos. Leigo em filosofia elementar, não temos a menor pretensão de desqualificar a atual classificação do termo. Sem qualquer ironia socrática, mas ressaltando-lhe os princípios, pedimos permissão para sustentar, com a Doutrina Espírita, que a definição futurista e incontroversa de livre-arbítrio deverá ser: “vontade livre de querer o que se deve querer”, o que, em outras palavras, tem a mesma equivalência ética e moral do fazei aos outros aquilo que quereríeis que os outros vos fizessem. Não há queimagem daquilo que trazemos impresso na intimidade. Fazemos coro às revelações de estudiosos deste e do outro Plano e ratificamos que, lembrando o processo de fixação da mensagem no disco rígido de um computador, de material incomparavelmente mais sensível que o óxido de ferro utilizado nessas gravações, por dispositivo de armazenamento que escapam ao nosso ínfimo, conteúdos de harmonia e interação com a Inteligência Suprema estão enviando ao consciente sucessivas ordens superiores de serviço. Essa impressão é indelével, e de percepção e cumprimento compulsórios. Por isto, em verdade, não retroagimos, e cumprimos científica e religiosamente todos os arbitramentos divinos imortalizadas no Espírito.

Idemar Marinho

Compositor, servidor público e expositor de Doutrina Espírita.
Idealizador do INCA VOLUNTÁRIO.
Grupo Espírita Voluntários do Bem- São Gonçalo/RJ

"Sustentai a coragem na luta, consciente de que toda conquista nos domínios
do espírito reclama esforços e sacrifícios continuados” – Bezerra de Menezes"
 

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